Anualmente são descobertos cerca de 60 mil novos casos de câncer de mama no Brasil e ocorrem cerca de 15 mil mortes.

Embora todos os casos levem o nome de câncer de mama, a doença pode ser completamente diferente de uma pessoa para outra.

Há subtipos de câncer de mama muito brandos e facilmente curáveis e há tipos de câncer de mama muito agressivos, que espalham rapidamente e tem altas taxas de mortalidade.

Se no passado nos preocupávamos apenas com o tamanho e o estágio em que o câncer era descoberto, hoje sabemos que a chance de cura depende também e fundamentalmente das características genéticas do tumor, mais propriamente da BIOLOGIA TUMORAL.

É a biologia tumoral que determina se um câncer é mais ou menos perigoso e, como consequência, se o tratamento deve ser mais ou menos agressivo.

O que permitiu entender melhor a biologia dos tumores foi o desenvolvimento da genética.

A partir da análise de certos genes de cada tumor foi possível enquadrar o câncer de mama dentro de 4 categorias:

  • Câncer de Mama Luminal A
  • Câncer de Mama Luminal B
  • Cancer de Mama Her2
  • Câncer de Mama Triplo Negativo

Há indicações diferentes para cada tipo?

A existência de diferentes tipos de câncer de mama explica por que duas pessoas não seguem necessariamente o mesmo plano de tratamento.

As indicações de cirurgia e radioterapia não mudam nas quatro categorias, entretanto os grupos diferem completamente quanto a necessidade de quimioterapia, imunoterapia e hormonoterapia.

Para estabelecer o subtipo de câncer de mama nem sempre os testes genéticos serão necessários.

Podemos ter uma boa estimativa com exames chamados de imuno-histoquímicos, que são simples, baratos e estão amplamente disponíveis em nossas cidades.

Em alguns casos, particularmente tumores da categoria Luminal B, os exames de imuno-histoquímica podem não ser suficientes para definir se aquela mulher precisa ou não de quimioterapia, e então os testes genéticos são importantes para definir o melhor tratamento.

Os testes genéticos mais conhecidos e estudados são o ONCOTYPE DX e o MAMMAPRINT.

Para fazer esses testes, uma pequena amostra do tumor é enviada para laboratórios fora do Brasil e em algumas semanas temos a resposta se aquele tumor deve receber quimioterapia ou se a quimioterapia vai trazer apenas custos e sofrimento, sem qualquer benefício.

Esses testes genéticos ainda são caros e não são cobertos pelos planos de saúde, mas sem dúvida eles representam o futuro da medicina.

Daqui a alguns anos os testes genéticos serão ainda melhores e mais baratos e irão permitir que cada pessoa com câncer de mama receba só os tratamentos que funcionam no seu caso específico.

O futuro da oncologia será a individualização total.

POR André Marini

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